sexta-feira, 10 de julho de 2009

diz passar ou ir

“Tinha chegado sem sugestão. Era uma osmose hepática de um não sei o quê. Até Fiodóro, que estava em meu colo, sentiu. Perguntei a ele e ele me disse um também não sei o quê. Não entendi. Vestígio, pedaço e tudo se contemplava. Um governador mantinha seu segredo. Estava ele ali, com uma mancha tipográfica em sua boca. Tudo passara. Um nocaute do tipo eclesiástico. Havia me sentido mais viva desde então. Preferia não querer. Compunha palavras seguindo a pulsação e meu sangue seguia dizendo estou indo... estou indo... estou... indo... estou. Deixo-te ir agora. Você, que outrora me fez arder, sob lençóis encharcados e uma luz opaca, a única testemunha daquele instante. Em vários momentos, quis eu ver a sua cor, de pertinho. Não sei se você se importa, mas eu tenho dó de ver a tua vida. Seguindo preso, sempre seguindo, indo. Mas olha como te invejo: copio sua essência em páginas avulsas, sob desenhos, traços, palavras que ali aprisiono e as permito viver. Quer queiram, quer não. É assim. Uns aprisionando os outros. E cada um, um a um, copia seu lema, clamando em suas línguas, estou indo, estou indo. Viva seu gerúndio, que se faz presente. E o que me diz, aos que tem seguido, ou ficado, ou partido. Não precisa. Não diga. Te deixo, como disse, ir. Meu corpo se aquieta. Agora. Meu cérebro, fundido, não acompanha mais teu fluxo. Acaricio minhas mãos, apaziguo meu olhar. E vejo, curvas após traços, que são o que vê, a, b, vírgula c. Todas contidas, mantém um segredo, que até Deus duvida.”

- palavras miúdas de uma outra mariana.

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