O tempo tem avançado a grandes passos. O acontecimento, fato ou mesmo instante, esquecido numa noite qualquer, cintila a partir do dia seguinte com o odor do novo e, portanto, não é mais música ambiente no relato do narrador, mas sim uma surpreendente aventura que se desenrola no segundo plano da banalidade, demasiado familiar, da vida particular. Ele corria atrás da perfeição. As cartas perdidas eram suas únicas referências. Ela perdia suas antigas partilhas. Ninguém aspira trivialidades. Ele estava apaixonado por seu próprio destino e sua caminhada para a ruína parecia-lhe nobre e bela. Ela precisava de sexo. Sua vida havia se transformado em seu próprio destino. Ele se sentia responsável por seu destino, mas seu destino não se sentia responsável por ele. Ela desacelerava desempenhos. Ninguém espera por ajuda. Ele insistia em permanecer nas primeiras páginas do romance e não se deixava apagar. Ele era daqueles que muito cedo perseguiam suas próprias decisões, enquanto ela foi sempre fiel ao jardim onde cantavam os rouxinóis. Ela se sentia feliz. Ele se amava em silêncio. Ninguém é órfão em seus próprios desejos. Eles são a minha nova poética. Ninguém vive daquilo que não se pode prever.

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